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segunda-feira, 1 de março de 2010

Adeus.



Corri.

Corri mais rápido que jamais pensei conseguir correr.

Tropecei, levantei, e continuei.

E quando achei que tudo estava perdido, te vi, no meio de todas aquelas pessoas.

Era impossível não reconhecer a pessoa que fazia o meu coração disparar, e minhas pernas perderem a força.

Sem pestanejar, chamei o seu nome.

Junto com o seu olhar, vieram os dos outros, que estavam presentes.

Mas eu só enxergava você,

vindo lentamente na minha direção.

Você parou na minha frente, e eu me xinguei mentalmente.

Era incrível como eu havia passado tanto tempo repassando o que eu queria te dizer, e agora as palavras haviam desaparecido totalmente.

Olhei para os meus tênis surrados, pensando no que falar, quando senti a sua mão no meu ombro. Vagarosamente, encarei o seu olhar.

E quando vi aqueles olhos, tão transparentes e tão agradavelmente familiares, lembrei o que estava em jogo, e que medo já não era uma opção.

Quando abri a boca pra falar você me interrompeu:

- Eu sei. Eu também. Mas...

E você não precisava falar mais nada. Ali eu percebi, que você me amava, tanto quanto eu te amava. E que sempre me amaria, assim como eu lembraria de você pro resto da vida. Mas que era tarde demais. Tarde demais pra tentar consertar o que fora quebrado, tarde demais pra nós.

Com a garganta embargada, e o coração apertado segurei suas mãos, olhei nos seus olhos, e senti que você entendeu tudo o que eu nunca conseguiria dizer.

Quando os seus olhos se encheram de lágrimas, eu senti que aquilo te machucava tanto quanto a mim.

Com uma sensação de perda indescritível, te puxei pra um abraço apertado, querendo te reter pra sempre.

E mesmo sabendo que aquilo provavelmente tornaria tudo mais difícil depois, olhei mais uma vez naqueles olhos que sempre me fascinaram tanto, e te beijei com ternura e com uma certa urgência.

Aquele fora um beijo diferente de todos.

Cada segundo nos machucava ainda mais, mas nem isso me fazia querer parar. Eu só tentava memorizar cada segundo, cada gosto, e parar o tempo.

Mas quando não havia mais como adiar, nós paramos. Te olhei mais uma vez, e tentei guardar aquela cena, pra sempre.

- Você sempre terá o meu coração. – e dito isso te dei um beijo na testa e te observei partir, levando consigo uma parte de mim, que sempre fora, e sempre seria só sua.


-


'Nαo αprendi dizer αdeus, nαo sei se vou me αcostumαr
Olhαndo αssim nos olhos teus, sei que vαi ficαr nos meus α mαrcα desse olhαr.
Nαo tenho nαdα prα dizer, só o silêncio vαi fαlαr por mim
Eu sei guαrdαr α minhα dor, e αpesαr de tαnto αmor, vαi ser melhor αssim.
Nαo αprendi dizer αdeus, mαs tenho que αceitαr que αmores vêm e vαo, sαo αves de verαo;
Se tens que me deixαr, que sejα entαo feliz!




2 comentários:

Leyde disse...

velhoo, que texto lindo foi esse? não dava mais vontade de parar de ler nunca, eu amei muito mesmo. Dava pra ver a cena! muito muito lindo, parabens amor! cada vez me surpreende mais.

Anônimo disse...

Antes de tudo, adorei o texto e me identifquei muito com ele!
Sabe, enquanto que para algumas pessoas esse seja apenas um texto que fala sobre despedida, para mim ele fala sobre um futuro momento de minha vida.
O que antes parecia ser uma cena de filme, agora começa a se tornar uma cena da vida real.
Estou prestes a servir a Marinha do Rio de Janeiro e toda noite antes de dormir eu fico imaginando como será o meu "ADEUS".
Penso em cada palavra que vou dizer aos meus amigos, familiares e a pessoa que amo; talvez esse possa ser o meu último momento com eles.
O texto me fez lembrar também da minha música favortia: Gunslinger.
Existe um trecho nela que se encaixa perfeitamente com isso tudo:
"My heart's always with you!"

Hasta la vista! o/